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Justiça realiza segunda audiência sobre morte em operação no Jacarezinho em 2021

Nesta quarta-feira, Justiça vai ouvir delegados da Core da Polícia Civil e representantes da Polícia Militar. Omar Pereira foi morto no dia 6 de maio de 2021. MP acusa policiais de homicídio qualificado e fraude processual. Rastro de sangue em casa no Jacarezinho, onde Omar foi encontrado morto; MP viu sinais de execução e de ausência de confronto

Reprodução/TV Globo

A Justiça do Rio realiza nesta quarta-feira (30) a segunda audiência de instrução e julgamento do processo em que dois policiais são acusados de matar Omar Pereira da Silva durante a operação do dia 6 de maio de 2021 no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. A ação deixou 28 mortos.

Dez das 13 investigações do Ministério Público sobre mortes na operação já foram arquivadas.

Douglas de Lucena Peixoto Siqueira e Anderson Silveira Pereira, lotados na Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, foram denunciados pela morte de Omar. O caso aconteceu dentro de uma casa em um local conhecido como Beco da Síria.

Nesta quarta-feira, serão ouvidas testemunhas de defesa dos policiais. Entre os interrogados, estão dois delegados da Core, Fabrício Oliveira e Fábio Salvadoretti; um delegado da Delegacia Especializada em Armas Munições e Explosivos (Desarme), Gustavo Rodrigues Ribeiro; um major do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Renato Soares; e um tenente da UPP do Jacarezinho, Leonardo Freitas Massari Augusto.

Justiça faz primeira audiência da operação do Jacarezinho

Na primeira audiência, realizada em junho, dezenas de policiais da Core da Polícia Civil, além de agentes da Polícia Rodoviária Federal, estiveram na sala de audiências. Boa parte deles usava uniforme da corporação, com roupas camufladas.

Em determinado momento da sessão, o defensor público Daniel Lozoya, que nesse caso atua na assistência de acusação, disse que as testemunhas estavam com medo de depor por conta da presença de policiais da Core no local.

Agentes da Core presentes na audiência sobre morte no Jacarezinho

Reprodução/TV Globo

Em junho, a Justiça do Rio rejeitou a denúncia contra outros dois policiais por duas mortes na mesma operação: Amaury Godoy Mafra e Alexandre Moura de Souza foram denunciados pelo MP pelas mortes de Richard Gabriel da Silva Ferreira e Isaac Pinheiro de Oliveira.

O Ministério Público recorreu da decisão da Justiça.

Acusações

Omar, morto em operação no Jacarezinho

Reprodução

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Douglas cometeu o homicídio de Omar e Anderson Silveira cometeu a fraude.

As fraudes, segundo o MP, são:

remoção de cadáver antes da perícia;

apresentação falsa de uma pistola glock .40 e um carregador;

"plantar" uma granada no local onde Omar foi morto.

Na comunicação da ocorrência, os policiais afirmaram que a vítima, antes de morrer, atirou uma granada contra eles. Douglas admite no registro de ocorrência do caso que foi ele que atirou em Omar.

A denúncia aponta para o crime de homicídio qualificado, por dificultar a defesa da vítima, que de acordo com o MP já estava encurralada, desarmada e com um tiro no pé.

Omar foi atingido na lateral esquerda do torso. Para os promotores, há vestígios de disparos de curta distância no corpo do suspeito.

A juíza Elizabeth Machado Louro determinou o afastamento da dupla das operações da Core e a proibiu de fazer qualquer atividade policial no Jacarezinho. Ainda segundo a magistrada, Douglas e Anderson não podem ter contato com qualquer testemunha do caso.

Omar Pereira da Silva foi preso em 2018 e conseguiu a liberdade provisória em 2019. Ainda adolescente, ele foi apreendido por fatos análogos a crimes.

Na operação no Jacarezinho, Omar foi morto no Beco da Síria. Segundo a polícia, ele teria atirado e jogado uma granada contra os policiais.

Testemunhas negam a versão policial e dizem que o suspeito estava desarmado e ferido quando foi encontrado pela polícia em uma casa na favela.

Omar estava no local para se esconder, quando o imóvel foi invadido e a vítima assassinada, segundo os relatos. Uma menina de 9 anos, que mora na casa, presenciou a cena e teria ficado traumatizada.

Testemunhas ainda afirmaram que ele já foi levado morto pela polícia, o que aponta para indícios de desfazimento da cena do crime.

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